
Profissionais da área elétrica, estudantes, autoridades regionais e colaboradores das cooperativas Certaja (Taquari), Cooperluz (Santa Rosa), Celetro (Cachoeira do Sul), Cosel (Encruzilhada do Sul) e Certel (Teutônia) prestigiaram, nos dias 17 e 18, a 2ª Exposição e Simpósio em Eletricidade e Tecnologias. Realizado pelo Colégio Teutônia, com apoio da Cooperativa Regional de Desenvolvimento Teutônia (Certel) e da Federação das Cooperativas de Energia, Telefonia e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul (Fecoergs), o evento trouxe palestras importantes sobre o setor e contou com 20 empresas expositoras.
Para o diretor do Colégio Teutônia, Jorge Trentini, o evento fortaleceu ainda mais o vínculo da instituição com os profissionais da área elétrica. "Foi uma oportunidade para a região discutir as tendências, as possibilidades e os novos investimentos no setor energético do Rio Grande do Sul. O simpósio e a exposição se somam às ações desta escola que, através do Centro de Eletricidade, instituído em 2006 em parceria com a Certel e Fecoergs, já qualificou mais de 1,3 mil profissionais da área. Temos certeza de que este trabalho terá reflexos positivos no sistema de padronização do setor", sublinhou.
Rio Grande do Sul
A primeira palestra foi proferida pelo assessor técnico da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística, José Wagner Maciel Kaehler, e enfocou o panorama da energia elétrica no Rio Grande do Sul. O Estado importa 61% da energia que distribui, sendo suprido basicamente pelo sistema de transmissão. "Assim, a energia gerada pelo sistema hidrotérmico das regiões Norte, Nordeste e Sudeste completa o fornecimento. É preciso um cuidado muito grande para manter sempre essa capacidade", relatou.
Kaehler destacou que o Estado consegue gerar no máximo 50% da sua demanda de energia elétrica, o que acontece em determinadas horas do dia. "Na média, consegue-se atender 25%, sendo que mais de 80% desta energia provém de hidrelétricas", assinala.
Obstáculos
Entre os principais entraves existentes quanto à geração, estão as barreiras no aspecto político. "As prioridades nacionais nem sempre reproduzem a prioridade regional. A união do poder político com o empresariado, essa conjunção de força ativa pressionando para que o interesse do Vale ou do Estado seja prioritário é fundamental no processo", alertou.
Inovação social
Conforme Kaehler, o papel das cooperativas de eletrificação é histórico e reproduz exatamente o empreendedorismo do imigrante no Rio Grande do Sul. "Isso só pode servir de exemplo, pois é uma inovação social. Poderia inclusive ser registrado como uma forma de condução do trabalho no crescimento de uma sociedade sustentável", afirmou.
Crescimento social
A iniciativa do Colégio Teutônia de promover o simpósio também foi avaliada pelo assessor. "Todas escolas técnicas deveriam promover eventos deste quilate. É a comunidade integrando-se ao processo educacional, tendo como objetivo o crescimento social", pontuou.
Eficiência e qualidade
Já a segunda palestra, sobre eficiência energética e qualidade dos materiais de rede de distribuição e iluminação pública, foi ministrada pelo técnico Maurício Wahast Ávila, do Laboratório de Calibração e Ensaios (Labelo) da Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS). O profissional relacionou as principais atividades desenvolvidas pelo Labelo e salientou a necessidade do poder público investir em novas tecnologias para garantir boa iluminação. "Não basta construir um produto, mas também atender requisitos e oferecer segurança e eficiência. Além de ter qualidade, a lâmpada deve consumir pouca energia", relatou.
O Labelo testa a qualidade de produtos como refrigeradores, lavadoras de roupa, bebedores e fogões. "Todos equipamentos domésticos passam pela nossa avaliação", enfatizou Ávila, acrescentando que o Labelo também realizou os testes do Inmetro com plugues, tomadas, chapinhas de cabelo e ferros de passar roupa, divulgados recentemente no Fantástico da Rede Globo.
Cooperativismo
A dimensão econômica e social do cooperativismo de eletrificação foi abordada na palestra do presidente da Cooperativa Regional de Desenvolvimento Teutônia (Certel) e da Federação das Cooperativas de Energia, Telefonia e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul (Fecoergs), Egon Édio Hoerlle. Presente em 358 municípios, dos quais, 72 em sedes municipais, a Fecoergs é formada por 15 cooperativas que geram e distribuem energia elétrica para mais de um milhão de gaúchos. Somadas, as redes elétricas do sistema alcançam uma distância superior a 60 mil quilômetros. Com 20 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH's), estas cooperativas geram 18,03% de sua demanda.
Hoerlle ressaltou que um dos desafios do cooperativismo de eletrificação é ter uma gestão profissional e estratégica, capaz de atender as dimensões econômica e social, cumprindo com a Legislação Cooperativista. "Deve-se incentivar a educação cooperativista dos associados e familiares, estimulando os princípios da cooperação e da solidariedade", sintetizou.
Demais palestras
O público também assistiu às palestras sobre eletricidade e informática, através de dois circuitos temáticos. Foram debatidos os temas "Utilização de energia elétrica com segurança", com Marco Aurélio Oliveira Borges, da AES Sul; "Soluções de software", com Junior Alex Mulinari, da Solis; "Eficiência energética e perigos da eletricidade", com Marcos Vizzotto e Dauri Soares, da Certel; "Adequação de tarifas e redução de custos", com Walmor Gilberto da Cunha, da Electrical Center; "Tecnologias e mobilidade", com Eduardo Clavé da Silveira, da HP; "Rede compacta e multiplex", com Luiz Henrique Leite Rosa, da PLP; e "Terminais multiusuário e virtualização", com Francisco Oliveira, da Ory.
O ex-aluno do curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Teutônia, Luciano Willy Schiefferdecker, palestrou sobre "Sucata eletrônica como fonte de renda e matéria-prima", tema premiado na 2ª Feira Estadual de Ciência e Tecnologia da Educação Profissional (Fecitep), em 2008.

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